A temperatura basal
A temperatura basal: como medi-la e interpretá-la
Todas as manhãs, antes mesmo de abrir bem os olhos, o seu corpo dá-lhe uma informação valiosa sobre em que fase do seu ciclo se encontra. Essa informação é a sua temperatura basal. Quando bem medida e bem interpretada, torna-se um dos indicadores mais fiáveis para compreender o seu ciclo. No entanto, é preciso saber o que ela realmente indica e o que não indica.
Neste artigo, irá descobrir o que é exatamente a temperatura basal, como medi-la corretamente, como interpretá-la e, sobretudo, por que razão ganha todo o seu significado quando a cruzamos com outro sinal do ciclo.
O que é a temperatura basal?
A temperatura basal é a temperatura do seu corpo em repouso total, a temperatura matinal, ao acordar, antes de se levantar e antes de qualquer atividade. É a temperatura mais baixa e mais estável do dia, porque durante a noite o seu organismo funciona em modo de repouso: o metabolismo, a respiração e a atividade muscular estão no mínimo.
Assim que se mexer, falar ou se levantar, essa temperatura volta a subir. É por isso que se fala em temperatura «basal»: é o seu nível de base, o ponto de referência a partir do qual tudo o resto varia.
O que a torna interessante para observar o ciclo é o facto de não ser constante ao longo de todo o mês. Ela acompanha fielmente as variações hormonais, e é essa evolução que conta uma história.
Por que é que a temperatura varia ao longo do ciclo?
O ciclo menstrual decorre em duas grandes fases, separadas pela ovulação, e a temperatura basal varia entre elas.
Antes da ovulação, durante a fase folicular, a temperatura mantém-se relativamente baixa, geralmente entre os 36,2 e os 36,5 °C, com pequenas variações de um dia para o outro. Este é o período em que os estrogénios predominam.
Logo após a ovulação, o corpo lúteo forma-se no ovário e começa a produzir progesterona. Ora, a progesterona tem um efeito térmico: faz com que a temperatura basal aumente ligeiramente, na ordem dos 0,2 a 0,5 °C. Este aumento dá origem a um patamar elevado que se mantém até ao final do ciclo.
Se se iniciar uma gravidez, a temperatura mantém-se elevada. Caso contrário, a progesterona desce, a temperatura volta a baixar e a menstruação surge: inicia-se um novo ciclo.
É precisamente esta transição de um nível baixo para um nível elevado, e a sua duração, que constitui toda a riqueza da observação térmica.
O que a temperatura confirma e o que não prevê
Eis o ponto essencial a reter: a temperatura basal não prevê a ovulação, mas sim confirma-a.
O aumento da temperatura ocorre após a ovulação, assim que a progesterona é produzida. Quando se verifica um aumento da temperatura, a ovulação já ocorreu. Esta é uma informação fundamental, que altera completamente a forma de interpretar este sinal.
A temperatura basal é, portanto, um sinal de confirmação, não um sinal de antecipação. Ela indica com certeza que a ovulação já ocorreu, mas não avisa que esta se aproxima. Para antecipar a ovulação, é necessário outro sinal: o muco cervical, que, por sua vez, sofre alterações antes da ovulação.
É exatamente por essa razão que o método sintotérmico nunca se baseia apenas na temperatura. Combina sempre dois sinais: o muco que antecipa e a temperatura que confirma. É a isso que se chama «duplo controlo», e é isso que torna a interpretação do ciclo simultaneamente precisa e fiável.
Como medir a temperatura basal, passo a passo
A temperatura basal varia apenas algumas décimas de grau. Ou seja, a precisão e a regularidade são fundamentais. Eis as regras a seguir.
O termómetro certo
Escolha um termómetro que indique duas casas decimais (por exemplo, 36,57 °C e não 36,5 °C). Um termómetro clássico para medir a febre, com graduação em décimos, não é suficiente para detetar variações tão subtis. Utilize o mesmo termómetro ao longo de todo o ciclo.
O momento certo
Meça a sua temperatura de manhã, logo ao acordar, antes de se levantar, antes de beber, falar ou consultar o telemóvel. O ideal é fazê-lo a horas semelhantes de um dia para o outro, após pelo menos algumas horas de sono. Quanto mais regulares forem as condições de medição, mais clara será a sua curva.
Na prática, recomenda-se pelo menos 3 a 4 horas de sono consecutivo antes da medição, para que o corpo tenha atingido o seu verdadeiro nível de repouso. E não é necessário que seja exatamente uma hora, ao minuto: o método tolera uma margem de cerca de uma hora e meia em relação ao seu horário habitual.
O caminho certo
Existem três vias possíveis: oral (debaixo da língua), vaginal ou retal. As vias vaginal e retal são frequentemente mais estáveis do que a via oral. O essencial não é escolher «a melhor», mas sim escolher uma e mantê-la durante todo o ciclo, uma vez que os valores diferem ligeiramente de uma via para outra.
O bom hábito
Anote a sua temperatura todos os dias, bem como tudo o que possa tê-la afetado: uma noite muito curta, febre, consumo de álcool na véspera, despertar tardio, viagem. Estes fatores não invalidam a sua observação, mas sim ajudam a compreendê-la: um valor ligeiramente elevado pode, por vezes, ser explicado por uma simples noite agitada.
Quando começar e com que frequência?
O mais simples é começar logo no primeiro dia do seu ciclo, ou seja, no primeiro dia da sua menstruação (um sangramento vermelho e abundante, não um simples manchado). Desta forma, acompanha o seu ciclo desde o início, e a sua curva conta toda a história.
O ideal, sobretudo no início, é medir a temperatura todas as manhãs: é observando diariamente que se aprende mais rapidamente a interpretar o ciclo. Com a experiência, pode-se reduzir um pouco a frequência, sendo essencial dispor de pontos suficientes para identificar a transição da fase baixa para a fase alta. Mas, enquanto estiver a dar os primeiros passos, a regularidade diária continua a ser a sua melhor aliada.
E se começar a meio do ciclo, não faz mal: as suas primeiras medições servirão de treino, e o ciclo seguinte recomeçará com base em dados precisos.
Ciclos desfasados, trabalho noturno, despertares durante a noite
O que fazer se trabalhar à noite, se os seus horários mudam constantemente ou se o seu sono é interrompido por um bebé? A regra continua a ser a mesma: mede-se a temperatura após o período principal de sono, no momento do «verdadeiro» despertar, independentemente da hora que for. Uma pessoa que dorme durante o dia deverá, portanto, medir a temperatura ao acordar à tarde.
As noites irregulares tornam a curva um pouco mais oscilante, o que é normal. Há dois hábitos que ajudam: registar sistematicamente as noites curtas ou agitadas como perturbações e lembrar-se de que o que importa é a tendência geral, não um ponto isolado. Se os seus horários forem realmente desorganizados, o acompanhamento por uma pessoa com formação irá ajudá-lo a adaptar a interpretação da curva ao seu ritmo de vida.
Como interpretar a sua curva
Registadas dia após dia num gráfico, as suas temperaturas traçam uma curva em duas fases: uma série de pontos relativamente baixos, seguida de um desvio para cima que se instala e se mantém. Esta transição marca o momento em que ocorreu a ovulação.
Na sintotermia, não se considera que um único pico seja suficiente: é a persistência do patamar, ao longo de vários dias consecutivos, que confirma a ovulação, e tudo isto é analisado em conjunto com a evolução do muco cervical. Um pico isolado não significa nada; é a tendência geral que é determinante.
Não desanime se as suas primeiras curvas lhe parecerem confusas. Interpretar a temperatura corporal é um processo de aprendizagem: muitas vezes, são necessários dois a três ciclos para reconhecer o seu próprio padrão. E cada ciclo observado ensina-lhe algo novo sobre si mesma.
O que pode distorcer uma medição
A temperatura basal é sensível. Vários fatores podem alterar um valor: uma noite com menos de algumas horas de sono, o consumo de álcool na véspera, um estado febril, um horário de medição muito diferente, um desfasamento horário ou, por vezes, um sono de má qualidade. Nada de grave: basta anotar essas circunstâncias. A interpretação terá isso em conta, e um valor isolado nunca é determinante.
A temperatura, um dos vários sinais
Como já devem ter percebido: a temperatura basal é um indicador valioso, mas só ganha todo o seu significado quando integrada num método completo. Por si só, apenas confirma a ovulação a posteriori. Quando combinada com o muco cervical, permite acompanhar o ciclo com grande precisão, do início ao fim.
É precisamente esse o objetivo da sintotermia, um método de observação que se baseia na combinação destes sinais. Se quiser compreender o método na sua totalidade, consulte o nosso guia completo sobre a sintotermia. E para aprofundar o conhecimento sobre o segundo sinal-chave, leia o nosso artigo sobre o muco cervical.
Monitorizar a temperatura corporal é dar um primeiro passo para um conhecimento mais aprofundado do próprio corpo, seja qual for o seu objetivo: conhecer-se melhor, acompanhar o desejo de engravidar ou simplesmente compreender o que se passa dentro de si, mês após mês.
Perguntas frequentes
De manhã, ao acordar, antes de se levantar e antes de qualquer atividade, com um termómetro de duas casas decimais, sempre pela mesma via (bucal, vaginal ou retal) e em condições tão regulares quanto possível de um dia para o outro. É a regularidade que garante a fiabilidade.
Não existe um valor «correto» universal: cada mulher tem os seus próprios níveis. Como referência geral, a temperatura situa-se frequentemente entre os 36,2 e os 36,5 °C antes da ovulação, subindo depois entre 0,2 e 0,5 °C para atingir, posteriormente, um patamar mais elevado. O que importa não é o valor absoluto, mas sim a diferença entre as duas fases.
A temperatura mantém-se num nível elevado durante toda a segunda parte do ciclo, sob o efeito da progesterona. Não aumenta imediatamente antes da menstruação: pelo contrário, costuma baixar à medida que a menstruação se aproxima, quando a progesterona diminui. É essa descida que anuncia o regresso da menstruação.
A temperatura basal não permite diagnosticar uma gravidez. No máximo, um período de temperaturas elevadas que se prolongue significativamente para além da duração habitual da sua segunda fase pode ser um indício. Mas isso nunca é uma confirmação: só um teste de gravidez permite dar uma resposta. A temperatura dá uma pista, o teste dá a resposta.
Fontes
Organização Mundial de Saúde. «Um ensaio prospetivo multicêntrico sobre o método da ovulação no planeamento familiar natural. II. A fase de eficácia.» Fertility and Sterility, 1981, vol. 36, n.º 5, p. 591-598.
Grupo de Trabalho NFP. Natural e seguro — O Manual Prático (Sensiplan). Manual de referência do método sintotérmico.