Começar a utilizar o método sintotérmico: o guia para um bom início
Começar a utilizar o método sintotérmico: o guia para um bom início
Já ouviu falar em sintotermia, a ideia atrai-a, mas não sabe por onde começar e talvez lhe pareça complicado? Boas notícias: dar o primeiro passo é mais simples do que se pensa. Não é preciso ser especialista, nem ter ciclos perfeitamente regulares, nem compreender tudo logo no primeiro dia. Basta começar a observar e a aprender ao longo dos ciclos.
Este guia acompanha-o passo a passo nos seus primeiros passos: por que razão dar o salto, o que precisa realmente, como decorre o primeiro ciclo, os erros frequentes a evitar e quanto tempo demora até se orientar.
Por que começar a utilizar o método sintotérmico?
A sintotermia não tem apenas uma utilidade. É, acima de tudo, uma forma de compreender o próprio corpo, e cada mulher recorre a ela com o seu próprio objetivo.
Algumas querem simplesmente conhecer-se melhor: compreender as suas variações de energia, humor e sono, e viver em sintonia com o seu ciclo, em vez de o sofrer. Outras desejam apoiar o seu desejo de engravidar, identificando a sua janela fértil real. Outras ainda querem evitar uma gravidez de forma natural, o que é possível, mas requer uma aprendizagem rigorosa e, idealmente, um acompanhamento. Por fim, outras procuram reencontrar os seus pontos de referência após a interrupção da contraceção hormonal ou durante o pós-parto.
Seja qual for o seu objetivo, o ponto de partida é o mesmo: observar. É isso que torna o método acessível a todas.
As 3 ideias preconcebidas que podem estar a impedir-te
Muitas mulheres hesitam devido a crenças generalizadas. Aqui estão as três mais comuns e a verdade por trás delas.
«É demasiado complicado para mim»
É um processo de aprendizagem, tal como aprender a ler uma nova língua: a do seu corpo. Os primeiros ciclos exigem um pouco de atenção, mas depois a observação torna-se um reflexo que leva apenas alguns minutos por dia. E não é obrigada a dominar tudo sozinha desde o início.
«É preciso ter ciclos regulares»
É precisamente o contrário. Como observa o seu ciclo atual em vez de o calcular, a sintotermia adapta-se precisamente aos ciclos irregulares e às ovulações desfasadas. É frequentemente uma revelação para aquelas cujos ciclos não seguem qualquer padrão.
«É apenas para fins contraceptivos»
Não. A contraceção natural é uma das possibilidades, mas muitas mulheres recorrem à sintotermia para se conhecerem melhor, para engravidarem ou para acompanharem a sua saúde ginecológica. O método adapta-se ao seu objetivo.
Do que é que precisa para começar?
A lista é curta, e é isso que torna o método tão acessível. Precisa de três coisas, nem mais uma.
Um termómetro basal, ou seja, um termómetro que indica duas casas decimais (por exemplo, 36,57 °C). Um termómetro clássico para medir a febre não é suficiente, uma vez que as variações a detetar são de apenas algumas décimas de grau.
Um suporte para tomar notas, à sua escolha: uma ficha de acompanhamento para imprimir, um caderno ou uma aplicação específica. Em papel ou em formato digital, não importa: escolha o que melhor se adequa a si e que o motive a manter o ritmo.
Um pouco de regularidade, finalmente. Não é perfeição, apenas o hábito de observar todos os dias. Esse é o único ingrediente verdadeiramente indispensável.
Quando começar?
O momento ideal para começar é o primeiro dia do seu ciclo, ou seja, o primeiro dia da sua menstruação propriamente dita, aquele em que o sangramento é intenso e de cor vermelha. Tenha cuidado para não confundir com um sangramento leve, aquelas pequenas manchas que podem anteceder a menstruação: o sangramento leve não conta como primeiro dia do ciclo.
Dito isto, nada o impede de começar a meio do ciclo para se familiarizar com os procedimentos. As suas primeiras observações servirão, assim, de treino, e o seu próximo ciclo terá um ponto de partida mais sólido.
O seu primeiro ciclo, na prática
Eis como é um dia de observação, sem entrarmos ainda na interpretação, que surgirá naturalmente com a prática.
De manhã, assim que acordar, antes de se levantar, de falar ou de beber, meça a temperatura e anote-a. Faça-o sempre da mesma forma e em condições tão regulares quanto possível.
Durante o dia, fique atenta ao seu muco cervical e à sensação na vulva: se está seca, húmida ou escorregadia. Não precisa de fazer nada de especial, basta apenas observar.
À noite, anote as suas observações: a temperatura da manhã e o que considerou mais fértil durante o dia.
É tudo. Nos primeiros dias, estes gestos exigem um esforço consciente; muito rapidamente, passam a fazer parte da vossa rotina, tal como escovar os dentes.
Os erros mais comuns das principiantes
Algumas armadilhas clássicas, fáceis de evitar assim que as conhecemos.
Querer interpretar tudo logo no primeiro ciclo. Os primeiros ciclos servem para observar e familiarizar-se, não para tirar conclusões. A compreensão surge com o recuo.
Confiar num único sinal. A força do método sintotérmico reside na combinação do muco cervical com a temperatura: um serve de indício, o outro confirma. Um único sinal pode induzir em erro.
Mudar de termómetro ou de canal de medição durante o ciclo, o que torna as temperaturas incompatíveis. Mantém-se o mesmo equipamento e o mesmo canal ao longo de todo o ciclo.
Desanimar-se perante uma curva com altos e baixos. É normal no início: o que importa é a tendência geral, ao longo de vários dias, e nunca um ponto isolado.
Por fim, querer avançar sozinha a todo o custo. Contar com o apoio de alguém não é um sinal de fraqueza, é um impulsionador.
Quanto tempo demora até nos orientarmos?
Conte com, pelo menos, três ciclos, tal como previsto pelo método Sensiplan, para se familiarizar com os seus sinais e começar a reconhecer o seu padrão pessoal. As primeiras semanas exigem atenção, mas depois tudo se torna mais fluido. E cada ciclo observado ensina-lhe algo novo sobre si mesma.
Se o seu objetivo exigir rigor, por exemplo, evitar uma gravidez, o acompanhamento por uma conselheira qualificada, uma parteira ou um profissional de saúde com formação no método acelera significativamente a aprendizagem e garante a correção da sua interpretação.
Para saber mais: o seu guia prático
Quer dar os primeiros passos com um guia claro e completo à mão? Preparámos um guia prático para aprender a sintotermia: as fases do ciclo, os sinais a observar, a rotina diária e os erros a evitar, reunidos num documento para ter sempre à mão. Deixe-nos o seu endereço para o receber e seja a primeira a saber das novidades da aventura VitaCycles.
E para aprofundar já estes dois sinais-chave, descubra os nossos artigos sobre a temperatura basal e o muco cervical, bem como o nosso guia completo sobre a sintotermia.
Perguntas frequentes
Adquira um termómetro basal com duas casas decimais, escolha um suporte para registar os dados (papel ou aplicação) e comece as suas observações no primeiro dia do seu período. Todas as manhãs, meça a temperatura assim que acordar; durante o dia, observe o seu muco cervical; à noite, registe tudo. Os primeiros ciclos servem para se familiarizar com o processo.
É uma questão de aprendizagem, não uma dificuldade insuperável. Conte com cerca de três ciclos para se orientar. O acompanhamento por alguém com formação facilita e acelera bastante os primeiros passos, sobretudo se o seu objetivo exigir rigor.
Sim, e esse é um dos seus grandes pontos fortes. O método observa o ciclo em curso tal como ele é, sem fazer suposições sobre a sua duração: adapta-se, portanto, a ciclos irregulares e a ovulações tardias.
Não. Basta uma simples folha de registo a imprimir para começar. Uma aplicação pode facilitar a tomada de notas e a leitura da curva, mas a escolha entre o papel e o formato digital é puramente uma questão de preferência.
Fontes
Organização Mundial de Saúde. «Um ensaio prospetivo multicêntrico do método da ovulação no planeamento familiar natural. II. A fase de eficácia.» Fertility and Sterility, 1981, vol. 36, n.º 5, p. 591-598.
Grupo de Trabalho NFP. «Natural e seguro — O manual prático (Sensiplan)». Manual de referência do método sintotérmico, cuja aprendizagem está estruturada em três ciclos.